Pesquisa revela que os brasileiros irão reduzir gastos com produtos e serviços menos essenciais como lazer e alimentação fora do lar; no entanto, até agora números do segmento comprovam crescimento em 2009
A expansão do mercado interno e a valorização do turismo nacional, devido à alta do dólar, serão os principais alicerces da economia brasileira neste ano, segundo especialistas. A economia é alimentada, basicamente, por três motores: exportações, investimentos e vendas para o mercado interno. Na atual situação mundial, os dois primeiros fatores sofrem forte desaceleração, enquanto que o terceiro pode ser o grande aliado do Brasil, podendo atenuar os efeitos da crise. No segmento de bares e restaurantes, de um lado, pesquisas mostram que os brasileiros irão reduzir o consumo, mas, por outro, empresários apontam crescimento até o mês de março e esperam resultados positivos para o restante de 2009.
Segundo pesquisa da consultoria MCM, publicada na revista Exame (08/04/2009), em 2008, o consumo de uma forma geral, que foi um dos melhores da história do Brasil, atingiu R$ 1,8 trilhão, sendo responsável por 60% da riqueza produzida no País. A pesquisa aponta que, mesmo em um cenário pessimista, os gastos das famílias devem apresentar crescimento em relação ao ano passado, de R$ 2,4 bilhões.
O presidente executivo nacional da Abrasel, Paulo Solmucci, acredita que parte desse bolo será reservado para o setor de bares e restaurantes. “A crise não impactou o setor. Pelo contrário, a menor disposição do brasileiro para a realização de compras de maior valor, como bens duráveis, fez com que o consumidor destinasse seu dinheiro para outras coisas, entre elas, o nosso setor”, avalia.
Entre janeiro e março deste ano, o setor registrou crescimento de 5% no faturamento, em relação ao mesmo período do ano passado. Em cidades turísticas, como Florianópolis, esse percentual chegou a 12%.
No entanto, mesmo dentro do segmento do turismo há disparidades, sendo uns estabelecimentos mais beneficiados e outros menos. A pesquisa revelou essa diferença: gastos com produtos essenciais como alimentação, remédios e higiene devem aumentar, porém, a alimentação fora do lar será o principal corte no bolso dos consumidores; 45% dos entrevistados optaram por esse item e 25% optaram por fazer cortes no lazer. Para o presidente da Abrasel SC, Ézio Librizzi, que tem uma opinião diversa de Solmucci, a pesquisa reflete a realidade, que já está batendo à porta dos empresários. “Eu interpreto os dados da pesquisa como um reflexo em cascata, portanto cumulativos, para muitos de nosso setor, que deve ser o mais afetado pela crise; salvo fast-food e restaurantes a peso.”
Para driblar a crise, uma das sugestões da Revista Exame está na adaptação da oferta de produtos de acordo com as necessidades e os desejos dos clientes.
© Abrasel SC 2007 | Termos de uso